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  • Por Agência Comuniqque
  • 19/10/2026

O mundo de Miguelzinho ficou maior que o cavaquinho

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De menino prodígio da internet a artista que divide o palco com grandes nomes da música brasileira, Miguel Vicente cresce diante do público e dá seus primeiros passos também no cinema

O mundo de Miguelzinho ficou maior que o cavaquinho
Marcos Serra Lima | Netflix

Em 2022, o nome Miguel Vicente já começava a ganhar espaço na trajetória musical de um menino de Itaperuna, no Noroeste Fluminense. Conhecido como Miguelzinho do Cavaco, ele encontrava no samba uma forma de expressão e, no cavaquinho, um instrumento que acabaria levando sua história muito além das fronteiras de sua cidade.

O que começou com a curiosidade de uma criança pelo som das cordas se transformou em uma trajetória acompanhada por milhares de pessoas. Vieram os vídeos nas redes sociais, a repercussão entre artistas consagrados, os convites para programas de televisão, as apresentações em grandes palcos e os encontros com nomes que, até pouco tempo antes, pertenciam ao universo dos ídolos.

Agora, enquanto continua construindo seu caminho na música, Miguelzinho começa a descobrir outras possibilidades de expressão. O cinema surge nesse percurso não como uma ruptura com o samba, mas como uma nova experiência para quem parece cada vez mais interessado em explorar os diferentes territórios da arte.

Aos poucos, o menino que conquistou o público com o cavaquinho começa a experimentar o universo das câmeras, das produções audiovisuais e das histórias contadas na telona. São os primeiros passos de uma aproximação que ainda está no início, mas que já coloca seu nome em duas produções cinematográficas: ‘O Velho Fusca’ e ‘Vicentina Pede Desculpas’.

UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU COM AS CORDAS

A relação de Miguel com o cavaquinho começou muito antes de seu nome circular pelas redes sociais. Ainda aos 3 anos, ele já experimentava o instrumento, inicialmente com um cavaquinho de brinquedo. Autodidata, desenvolveu a própria relação com a música a partir da escuta, da curiosidade e da vontade de reproduzir os sambas que admirava.

E com apenas 11 anos, a projeção nacional ganhou força quando Miguel publicou nas redes sociais vídeos em que tocava cavaquinho e interpretava sambas conhecidos. Um deles, com a música ‘Gratidão’, gravada por Xande de Pilares, mudaria o alcance de suas publicações.

O próprio sambista compartilhou a interpretação, elogiou o talento do menino e, posteriormente, o convidou para dividir o palco em uma apresentação na Barra da Tijuca. Na ocasião, Miguel recebeu de Xande um cavaquinho profissional.

A repercussão cresceu. Outros nomes conhecidos, como Neymar, Iza, Martinho da Vila, Anderson Silva, Teresa Cristina e Sorriso Maroto, também passaram a compartilhar ou reconhecer o talento do jovem músico, conforme relatos publicados sobre sua trajetória.

A internet, que antes servia para mostrar a família e os amigos o que ele sabia tocar, tornou-se uma porta para novos encontros. O menino que gravava vídeos passou a receber convites, participar de programas de televisão e se apresentar ao lado de artistas que admirava.

Um dos exemplos dessa ascensão foi sua participação no Domingão com Huck, da TV Globo, ao lado de Thiaguinho, seu ídolo. Em outra ocasião, durante o Navio da Xuxa, Miguel foi convidado por Daniela Mercury a cantar com ela ‘Não Deixe o Samba Morrer’, clássico eternizado na voz de Alcione.

A cada apresentação, o cavaquinho deixava de ser apenas o instrumento de um menino talentoso para se tornar uma espécie de passaporte. Miguel atravessava ambientes, conhecia diferentes públicos e aprendia, ainda muito jovem, a lidar com as oportunidades abertas pelo reconhecimento.

DO PALCO À DESCOBERTA DE NOVOS CAMINHOS

A trajetória musical de Miguelzinho também ganhou novos capítulos com o lançamento de trabalhos como ‘Menor Abandonado’, em 2024, e ‘Nosso Primeiro Date’ e ‘Moleque Guerreiro’, em 2025. Em 2026, o artista apresentou ‘Dia Frio’, ampliando seu repertório e mantendo a música como parte central de sua trajetória artística.

A sequência de lançamentos ajuda a compreender que a trajetória de Miguel não se limita à repercussão de vídeos virais. Há uma construção musical em andamento, com repertório, experiências de palco e a busca por ampliar suas possibilidades como artista.

Outra experiência importante foi o encontro com o maestro João Carlos Martins e a Orquestra Bachiana, no Teatro Casa Grande. Na ocasião, Miguel levou o som do cavaquinho à interpretação de ‘Ária da 4ª Corda’, de Johann Sebastian Bach. O encontro aproximou universos musicais diferentes e reforçou a possibilidade de transitar entre tradições sem abandonar a própria identidade.

Mais recentemente, o jovem também assumiu uma nova função diante das câmeras: a de apresentador. No Elo do Samba, projeto realizado em parceria com o Cartão Elo e exibido no canal da Nova Brasil FM no YouTube, Miguel passou a conduzir conversas com nomes importantes da música brasileira.

Demônios da Garoa, Luciana Mello, Alcione, Leci Brandão e Seu Jorge estão entre os artistas que participaram do programa. Em vez de apenas tocar e cantar, Miguel passou a ouvir histórias, fazer perguntas e conhecer de perto as experiências de quem ajudou a construir a história do samba.

A mudança é significativa. O menino que antes chamava atenção pela desenvoltura com o instrumento agora também ocupa o lugar de quem conduz uma conversa, acompanha relatos e estabelece conexões entre diferentes gerações da música brasileira.

E é nesse percurso, entre o palco e as câmeras, que o cinema começa a ganhar espaço.

QUANDO A MÚSICA ENCONTRA O CINEMA

A primeira aproximação com o universo cinematográfico apresentada nesta nova fase veio por meio da música. Miguel integra a trilha sonora de ‘O Velho Fusca’, produção dirigida por Emiliano Ruschel que reúne nomes consagrados e artistas contemporâneos da música brasileira.

O filme conta a história de Junior, um jovem sensível que enfrenta conflitos familiares ao tentar se aproximar do avô. A reconciliação entre gerações ocupa o centro da narrativa, enquanto a música funciona como uma ponte entre memórias, afetos e diferentes momentos da vida.

Na trilha, Miguel aparece ao lado de artistas como Jorge Aragão, Péricles, Teresa Cristina, Paula Lima, Xande de Pilares, Diogo Nogueira e Jorge Vercillo, entre outros nomes. O projeto também reúne intérpretes de diferentes gêneros e gerações, em uma seleção que combina clássicos e canções inéditas.

Para um jovem cuja história está profundamente ligada ao samba, participar de uma produção dessa dimensão representa uma nova maneira de alcançar o público. A música, que já havia levado Miguel aos palcos e à televisão, passa também a integrar uma narrativa construída para o cinema.

A experiência amplia seu campo de atuação. O cavaquinho continua sendo parte de sua identidade, mas agora sua música encontra outro contexto: o de uma história que se desenvolve na tela, com personagens, conflitos e emoções que dialogam com o espectador.

É um primeiro movimento de aproximação com uma indústria diferente daquela em que construiu sua notoriedade; e também uma oportunidade de observar como a arte se transforma quando muda o espaço em que é apresentada.

UM NOVO PASSO DIANTE DAS CÂMERAS

Se em ‘O Velho Fusca’ sua participação acontece pela trilha sonora, em ‘Vicentina Pede Desculpas’ Miguel dá outro passo: participa do filme. Dirigido por Gabriel Martins, cineasta conhecido por ‘Marte Um’, o longa é protagonizado por Rejane Faria e aborda uma história marcada pelo luto, pela culpa e pela tentativa de seguir em frente diante de uma tragédia.

A trama se passa em Belo Horizonte. Depois de um grave acidente envolvendo um ônibus, surgem evidências de que a queda do veículo, que matou quase todos os passageiros e o motorista Wesley, pode ter sido uma tentativa deliberada de suicídio. A mãe do motorista, Vicentina, passa então a procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas, em uma jornada na qual nem todas as respostas poderão ser encontradas.

A participação de Miguel nessa produção representa uma experiência diferente daquela vivida no projeto anterior. Além de integrar um universo cinematográfico por meio da música, ele passa a fazer parte de uma obra cuja narrativa é construída a partir da atuação, da direção e de diferentes elementos da linguagem audiovisual. “Estar em um filme é diferente de subir ao palco para tocar. É um universo que estou começando a conhecer e que me deixa muito curioso. Quero entender como tudo acontece, aprender com as pessoas que trabalham no cinema e descobrir até onde posso chegar também nessa área”, comenta Miguelzinho.

O filme é fruto de uma parceria entre a Netflix e a produtora Filmes de Plástico e teve sua estreia nacional no Festival do Rio de 2026, depois de passar pelos festivais de Toronto, no Canadá, e San Sebastián, na Espanha. No mês de outubro, 11, Miguel esteve no Festival do Rio, acompanhando de perto um momento importante da trajetória da produção. ‘Vicentina Pede Desculpas’ conquistou três Troféus Redentor: Melhor Direção de Ficção, Melhor Roteiro e Melhor Longa de Ficção no Voto Popular.

O reconhecimento colocou o longa entre os destaques da edição e acrescentou uma experiência especial à aproximação de Miguel com o cinema. Para um artista que começou a ganhar projeção ainda criança, estar presente em um festival dedicado à produção cinematográfica brasileira significa também conhecer outro ambiente, outras formas de criação e outros profissionais da arte. “Fiquei muito feliz de participar de um filme que recebeu um reconhecimento tão importante. Estou começando a dar meus primeiros passos no cinema e sei que ainda tenho muito a aprender. Quero viver essas experiências, conhecer mais sobre esse mundo e continuar fazendo aquilo de que gosto: arte”, afirma.

A participação no evento, no entanto, é apenas parte de uma história que ainda está sendo escrita. O interesse agora está no que essas primeiras experiências podem despertar: a curiosidade sobre os bastidores, o desejo de aprender e a possibilidade de explorar novas formas de contar histórias. “Quero agradecer ao diretor Gabriel Martins, que me recebeu com muito carinho e me deu uma atenção especial, à Rejane Faria, protagonista do filme, a todo o elenco e à equipe de produção. Foi muito especial viver essa experiência e conhecer de perto esse universo do cinema. Sou grato a todos que me acolheram e fizeram parte desse momento tão importante para mim”, finaliza Miguelzinho.

O MENINO CRESCE, E OS HORIZONTES SE AMPLIAM

Há uma característica que atravessa a trajetória de Miguel: a disposição para experimentar. Primeiro, foi o cavaquinho. Depois, vieram os vídeos, os palcos, a televisão, os encontros com artistas consagrados e a experiência de entrevistar grandes nomes do samba. Agora, o cinema acrescenta novas possibilidades a esse percurso.

O amadurecimento não significa abandonar o que veio antes. Ao contrário, cada experiência parece ampliar o repertório de referências que o jovem leva consigo. A música oferece uma identidade, o contato com outros artistas proporciona aprendizado e o cinema abre uma janela para novas formas de expressão.

Miguel ainda está no começo dessa aproximação com a linguagem cinematográfica. Suas participações em ‘O Velho Fusca’ e ‘Vicentina Pede Desculpas’ não significam, por si só, uma mudança definitiva de carreira. São experiências concretas que podem despertar novos interesses e ajudar a definir os próximos passos de sua formação artística.

Talvez seja justamente essa a parte mais interessante da história: acompanhar um jovem que ainda está descobrindo o que deseja fazer com as oportunidades que surgem. O público conheceu Miguel pelo som das cordas e acompanhou a velocidade com que seu talento encontrou novos espaços. Agora, começa a observar outra etapa, menos ligada à surpresa de um menino prodígio e mais relacionada à construção de um artista.

O mundo ficou maior que o cavaquinho, mas o instrumento continua ali. É parte da origem, da memória e da identidade de Miguel Vicente. A diferença é que, diante dele, surgem novos caminhos... e o cinema parece ser um dos que mais despertam sua curiosidade.

A história não está pronta!

Está em movimento, como a de qualquer jovem que cresce, aprende e começa a descobrir que a arte pode assumir muitas formas.

SERVIÇO | VICENTINA PEDE DESCULPAS

- Direção: Gabriel Martins

- Estreia nos cinemas: 5 de novembro de 2026, em salas selecionadas

- Netflix: previsão de estreia em 20 de novembro de 2026

- Premiação: o longa conquistou três Troféus Redentor no Festival do Rio 2026, incluindo Melhor Longa de Ficção pelo Voto Popular

As datas de lançamento devem ser confirmadas com a distribuição oficial do filme.

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