Obra de R.C. Ballerini parte de um manuscrito enviado de 2042 para 2026 e terá 10 mil exemplares distribuídos gratuitamente em eventos culturais do Distrito Federal.
Obra de R.C. Ballerini parte de um manuscrito enviado de 2042 para 2026 e terá 10 mil exemplares distribuídos gratuitamente em eventos culturais do Distrito Federal.

O livro A Distopia: 2026 e o futuro do Brasil, de R.C. Ballerini, imagina acontecimentos capazes de transformar o país após as eleições de 2026. Na narrativa, um escritor que vive em 2042 encontra uma forma de enviar um manuscrito para o passado. O destino é 2026, e o que chega ao presente é um livro.
Realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), o projeto terá 10 mil exemplares distribuídos gratuitamente no Distrito Federal. A circulação ocorrerá em diferentes eventos culturais, sem uma única data ou local de lançamento.
A história começa em 2042, em Chiapas, no México, dezesseis anos depois de uma grande crise que transformou o Brasil e o mundo. O narrador encontra um artefato de aparência misteriosa, associado à cultura maia, capaz de enviar ao passado objetos produzidos a partir de matéria vegetal, como papel, madeira e plantas.
Por meio do dispositivo, um manuscrito produzido em 2042 é enviado para 2026 com a intenção de fazer a história chegar ao maior número possível de brasileiros antes que os acontecimentos narrados se concretizem.
O texto se transforma em uma linha do tempo imaginada entre 2026 e 2042, acompanhando acontecimentos políticos, sociais, sanitários e ambientais que modificam o país e suas relações com o mundo. Entre os episódios está a chamada Covid-26, uma nova pandemia iniciada na China e disseminada internacionalmente.
Ao longo da narrativa, surgem personagens, conflitos e redes de resistência. Territórios como Chiapas, Rojava e a Amazônia aparecem como espaços de organização e experimentação de outras formas de vida coletiva.
A obra também apresenta possibilidades de reconstrução por meio de experiências de organização comunitária, cultura, arte e cooperação. Entre elas está o Festival de Artes do Solstício, celebração que integra o futuro imaginado pelo autor.
A ideia de A Distopia surgiu em 2021, durante a pandemia de Covid-19. Segundo R.C. Ballerini, o contexto daquele período e o cenário político e social brasileiro despertaram o interesse em imaginar para onde poderiam levar determinados caminhos políticos.
O livro foi escrito naquele momento e posteriormente reescrito, com a incorporação de elementos do presente. Para o autor, 2026 ganhou importância por ser um ano eleitoral e concentrar disputas que podem ter consequências para o futuro do país.
“Em 2026, me parece que temos uma situação geopolítica mais acirrada e as atenções estão muito mais voltadas ao Brasil. O grande capital internacional está ávido por interferir no processo eleitoral brasileiro, e os candidatos alinhados à direita, e em especial à extrema direita, representam claramente os interesses dessas grandes corporações. Isso faz com que as eleições de 2026 representem um possível ponto de definição muito importante para o nosso futuro”, afirma.
De acordo com Ballerini, a distribuição gratuita busca alcançar o maior número possível de pessoas e contribuir para a discussão política do momento.
“Os rumos do país não estão seguros nas mãos da extrema direita. O livro apresenta uma caricatura de situações extremas e traz a compreensão de que, de forma geral, a atuação desse campo político realmente não se importa com meio ambiente, cultura, justiça social e distribuição de renda. Uma atuação nesse registro acaba resultando em uma destruição total muito mais agressiva do que o senso comum imagina, gerando consequências em muitos outros aspectos”, destaca.
R.C. Ballerini é músico, escritor, radialista e piloto de ideias. Publicou Fragmentos, obra de escritos curtos experimentais, em 2019.
O autor é idealizador e diretor artístico do DF-instrumental-FEST, que promove a música instrumental do Distrito Federal e do Brasil em territórios de periferia desde 2023. Também é compositor e instrumentista do Duo Palco-céu, que já atendeu mais de 40 mil crianças da rede pública de ensino do Distrito Federal.
Ballerini foi instrumentista e é produtor do Satanique Samba Trio, grupo com 23 anos de carreira, 16 álbuns produzidos e quatro turnês europeias. Ele também é co-idealizador, curador e apresentador do Programa Brasil instrumental, na Cultura FM Brasília.