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O mundo esqueceu a peste - De Brasília


Quadro que retrata a Peste Bubônica (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

Esses dias estava aqui em casa trabalhando e ouvi um homem falando no megafone “Fiquem em casa, isolamento social”, não era qualquer homem não, era um bombeiro… A sirene não estava ligada, mas o aviso ressoava como se fosse uma. Senti até uns arrepios no corpo. Segundos depois do sumiço da voz, a rua estava cheia de burburinho, lotada. Esqueceram, pensei.

Sabe o que mais o mundo esqueceu? A peste, os campos de concentração, a escravidão, a colonização, as torturas, as torres gêmeas, a ditadura, as dores e os medos. Tá aí! O ser humano é adaptável até demais… Um dia estamos na maior desolação, no outro ninguém se lembra, está tudo mesclado de inocência? 

Eu sei, nem todos podem estar no isolamento, mas há aqueles que transitam como serpentes sem se importar se a pele que eles deixam no meio do caminho afeta o outro… Hoje vi uma publicação no facebook: “Perdi duas pessoas próximas pelo coronavírus, vocês só vão entender quando acontecer com vocês”. Meu coração estremeceu, pensei na minha avó que mora no Nordeste e no meu namorado que mora em Campinas. Amores distantes e perto, afinal pelo menos nos falamos todos os dias.

Sabe o que o mundo também esqueceu? A comunicação… e se fosse na época da carta, como estaríamos? Sem notícias, ainda mais aflitos… Será que morreu? Estamos ligados mesmo que longe, e sabe, existe uma espécie de contrato social aos que decidiram não sair dos seus cubículos para proteger o que mais importa no mundo: a vida. Esse contrato que ninguém assinou mas que diz: estamos juntos, vamos superar. E, se não tivéssemos nem como ouvir a voz das pessoas que amamos? Se não pudéssemos comprar nada online, nem de forma alguma trabalhar com mesmos transita aqui e transita ali? Será que iríamos surtar completamente?

Já estamos acostumados a viver um tanto numa bolha… Disseram que com a modernidade viriam as ilhas, cada um sendo a sua. E, se nós meio que cambaleantes já estivéssemos nos preparando para este momento? De que adianta todas as facilidades se a empatia está em falta ? Se a solidariedade já desfaleceu? Será que quem está de férias, curtindo pelas praias, fazendo festa, está ciente que comemora o funeral dos outros? 

Vejo uma grande foice perpetuando a humanidade, tudo escuro, uma névoa que ataca as narinas e mata… Vejo as pessoas se pintando e adorando a carnificina. Mas, quer saber? A maior pandemia é o esquecimento.


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