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  • Por: Paloma C. Mamede
  • 08/05/2017

Aquele Caderno Azul

Continuei na fila, afinal já não podia mais te olhar. Com pena não podia, com pena não... Queria que fosse um caderno de capa azul, da cor do céu, queria até que tivesse o pó das estrelas, e que elas realizassem os desejos mais ínfimos do seu coração, e do meu também.


Não era azul, era vermelho, mas por questão de estética eu queria que fosse azul. Sabe por quê? Porque era vermelho de sangue, de dor e outras coisas assim. Doeu quando olhei, doeu sentir também, doeu ainda mais por não ter feito nada sobre.

Eu te vi pegando aquele caderno em branco com capa vermelha, com folhas sem pauta, da lixeira. Daí sentou no banco perto da fila em que eu esperava o ônibus. Não vou ser hipócrita, meu nariz se incomodou com seu cheiro, mas isso não doía nas narinas, doía no coração.

Você foi passando a mão lascada, cheia de feridas, pelas folhas em branco, e parecia ler palavras invisíveis, olhava aquele branco nítido com uma concentração... Os detalhes da vida às vezes perturbam assim mesmo. Lembrei-me de Locke, e da tabula rasa, éramos folhas em branco daquele caderno de capa de sangue. Doeu de novo. Pensei que talvez as suas palavras invisíveis fizessem mais sentido que as minhas, não sei.

O meu caderno, e o seu, estão sempre assim esbranquiçados, sem voz. E os cadernos do Tribunal de Contas valem mais que as nossas vidas... Doeu de novo. Suspirei. E, os cadernos do Congresso valem mais que a nossa alma? Continuamos sem voz, você no frio da noite, sem teto, sem caneta... Eu no frio da rotina, sem tempo, mas com teto. Meu caderno, e o seu, deviam falar das palavras mais lindas, estas invisíveis que o Mundo recusa ver. 

Continuei na fila, afinal já não podia mais te olhar. Com pena não podia, com pena não... Queria que fosse um caderno de capa azul, da cor do céu, queria até que tivesse o pó das estrelas, e que elas realizassem os desejos mais ínfimos do seu coração, e do meu também. Porém, ficamos com Locke, e nossas linhas escritas vão sendo apagadas pelo esquecimento. A sociedade não lembra de nós, e nunca vai se lembrar.

Esbarrei sem querer na pessoa da frente, a fila estava indo com o rumo costumeiro dos dias, caiu uma lágrima meio penosa no meu rosto e nem tive o trabalho de limpá-la, afinal ninguém iria vê-la. Ninguém, nem eu, porque já estava tão esquecida, que nem o meu reflexo eu quis ver. E, fui assim uma folha em branco daquele caderno de capa sangrenta.

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