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  • Por: Paloma C. Mamede
  • 27/09/2021

Ad infinitum Deusa

Era uma madrugada pacata de primavera, a praia estava amanhecendo aos poucos, o sol refletia todos os entusiasmos do mundo com sua mescla, tão igual e ao mesmo tempo tão original, de cores. Ana Laura gostava de se sentar na areia e aproveitar este espetáculo envolta em silêncio. Mas, naquele dia, tudo seria diferente. Avistou logo o corpo da Deusa jogado à margem. Seus braços estavam flagelados, seu cabelo com fios de ouro resplandecia, sua face serena e seus lábios formavam um sorriso tímido.


O nascimento de Vênus - Sandro Botticelli

Era uma madrugada pacata de primavera, a praia estava amanhecendo aos poucos, o sol refletia todos os entusiasmos do mundo com sua mescla, tão igual e ao mesmo tempo tão original, de cores. Ana Laura gostava de se sentar na areia e aproveitar este espetáculo envolta em silêncio. Mas, naquele dia, tudo seria diferente. Avistou logo o corpo da Deusa jogado à margem. Seus braços estavam flagelados, seu cabelo com fios de ouro resplandecia, sua face serena e seus lábios formavam um sorriso tímido. Seu corpo estava pintado de arroxeados que eram frutos de alguma violência. Suspiro, mistério, agonia e dor...

O grande dilema era solucionar como um sorriso sereno estava sendo levado por aquele corpo divino. As urgências do povo celestial também carregavam injustiças tão semelhantes às nossas. Ana Laura admirou aquela cena com certa surpresa e até uma pontada de irrealidade. Logo, teve de se afastar, o tumulto foi crescendo, algumas pessoas exclamavam sem parar: “Deusa!”.

Outras com tom de indiferença, desrespeitavam as faces não humanas. Contudo, chegou a investigação, não especularam muito as marcas de agressão, não quiseram entrevistar testemunhas. 

— Não é da nossa alçada.

— Não é mesmo.

— Quase uma piada de mau gosto.

— Com certeza, Tenente, com certeza!

— Vamos despachar.

Os cabelos da Deusa ficavam cada vez mais emaranhados com o vento, ninguém além de Ana Laura parecia querer conhecer as entrelinhas daquele acontecimento. Todos estavam ignorando o fato ou apenas queriam a praia no seu aspecto natural. Embalaram o corpo, sem vida, sem cautela, um dos dedos para fora do saco do necrotério. Jogaram de qualquer jeito e o mais absurdo dos fatos, jogaram em algum aterro, afinal não fazia parte da alçada humana investigar um caso desses. Há ainda quem se recorde dos cabelos dourados, do ouro encontrado. Há quem apague até a vivacidade das relíquias. Ad infinitum Deusa, ad aeternum Deusa que representa todas as mulheres injustiçadas do mundo. Descanse em paz!

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