Publicação organizada pela antropóloga Sara Morais (DAN /UnB) propõe diálogos entre experiências africanas de patrimonialização e os debates sobre memória, cultura e salvaguarda no Brasil
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Publicação organizada pela antropóloga Sara Morais (DAN /UnB) propõe diálogos entre experiências africanas de patrimonialização e os debates sobre memória, cultura e salvaguarda no Brasil

O Distrito Federal recebe, entre maio e junho, o lançamento do livro Patrimônio Cultural em Contextos Africanos: textos traduzidos, organizado pela antropóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB), Sara Morais. A publicação reúne traduções inéditas para o português de textos fundamentais sobre patrimônio cultural em diferentes países africanos, ampliando o acesso a reflexões ainda pouco difundidas no Brasil.
A coletânea surgiu do desejo de disponibilizar para leitores de língua portuguesa discussões relevantes produzidas a partir de pesquisas realizadas em Cabo Verde, Camarões, Guiné-Bissau, Guiné-Conacri, Mali, Malawi e Senegal. Os textos abordam diferentes experiências de patrimonialização e salvaguarda cultural, atravessando expressões como o Vimbuza, o kankurang, as tabancas, as manjuandadis, a arquitetura de Djenné e os objetos do Museu do Palácio do Rei Bamoun.
Embora centrados em contextos africanos, os debates apresentados pelos autores dialogam diretamente com questões presentes nas políticas de patrimônio cultural no Brasil, especialmente no que diz respeito à memória coletiva, participação comunitária, preservação cultural e disputas em torno dos processos de reconhecimento patrimonial.
“O livro é importante por, pelo menos, dois motivos. Um deles é porque coloca à disposição de leitores de língua portuguesa textos centrais na discussão sobre patrimônio cultural em contextos africanos. Em segundo lugar, porque esse conjunto reflexivo pode contribuir bastante para o debate público sobre patrimônio cultural no Brasil”, afirma Sara Morais.
Segundo a organizadora, a publicação busca fortalecer um campo de reflexão que ultrapassa os limites acadêmicos e dialoga diretamente com os desafios contemporâneos das políticas culturais.
“O debate sobre patrimônio cultural envolve luta por direitos culturais, salvaguarda de expressões culturais e construção coletiva de políticas públicas. Acredito que o livro pode contribuir para complexificar esse campo e ampliar repertórios de reflexão”, destaca Sara.
O projeto Patrimônios Culturais Imateriais em Contextos Africanos consiste na produção e difusão de conhecimentos sobre patrimônio cultural imaterial a partir de pesquisas desenvolvidas em diferentes contextos africanos, promovendo diálogos com as realidades culturais do Distrito Federal.
Além da publicação do livro, a iniciativa prevê uma série de palestras e oficinas formativas gratuitas voltadas ao debate sobre patrimônio cultural imaterial, memória coletiva, territorialidade, participação comunitária, preservação cultural e intercâmbio de saberes entre África e Brasil.
As atividades irão reunir pesquisadores, estudantes, agentes culturais, professores, servidores públicos e comunidades interessadas nas discussões sobre patrimônio cultural e políticas de salvaguarda, fortalecendo aproximações entre experiências africanas e os desafios patrimoniais vivenciados no Distrito Federal.
As oficinas também propõem reflexões sobre os processos de patrimonialização a partir de territórios culturais e comunitários, como o Espaço Okupa, no Mercado Sul de Taguatinga, ampliando os diálogos entre universidade, instituições culturais e experiências populares de memória e cultura.
O livro ainda oferece caminhos pedagógicos e exemplos concretos para o ensino da história e cultura africana no contexto educacional brasileiro, contribuindo para a implementação da Lei nº 10.639/2003 e ampliando repertórios sobre o continente africano para além de abordagens estereotipadas.
29 de maio | 9h30
Auditório do Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Brasília (UnB) - Asa Norte
01 de junho | 16h
Auditório do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (702/902 - Asa Sul)
18 e 19 de junho | 14h
Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Brasília (UnB) - Asa Norte
27 e 28 de junho | 14h
Espaço Okupa – Mercado Sul de Taguatinga - QSB 12/13 - Taguatinga Sul
Terceira oficina – local e data a confirmar
Escola Setor Leste
Sara Morais é professora do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB). Foi técnica em antropologia do IPHAN entre 2013 e 2025 e pesquisadora de pós-doutorado na Unicamp com bolsa Fapesp (2022-2025). Desenvolve pesquisas sobre processos de patrimonialização e construção nacional em países da África Austral, com foco especial em Moçambique.
É autora do livro O Palco e o Mato: o lugar das timbila no projeto de construção da nação em Moçambique (2024), publicado pela Editora Telha em parceria com o selo ABA Publicações. Sua tese recebeu o Prémio Fernão Mendes Pinto 2021, concedido pela Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP).
Sara também coordena o Akalela: Laboratório de Antropologia dos Processos de Patrimonialização e Políticas da Cultura, integra o Comitê de Estudos Africanos da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), é membro da diretoria da AbeÁfrica e editora associada da revista Anuário Antropológico.
O projeto Patrimônios Culturais Imateriais em Contextos Africanos foi realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), por meio do Edital FAC I – 2024.
Para mais informações, siga as páginas no facebook e no Instagram do Laboratório Akalela - @labakalela