"Guerreiros de fim de semana" diminuem e concentram piores indicadores de saúde. Estudo aponta mudanças no padrão de prática entre 2009 e 2023 e acende alerta para a regularidade da atividade física
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"Guerreiros de fim de semana" diminuem e concentram piores indicadores de saúde. Estudo aponta mudanças no padrão de prática entre 2009 e 2023 e acende alerta para a regularidade da atividade física

A prática de atividade física no tempo livre aumentou de forma consistente no Brasil nos últimos 15 anos. É o que revela um estudo com dados representativos da população adulta brasileira, que analisou informações coletadas entre 2009 e 2023. O levantamento aponta que a prevalência do padrão conhecido como “guerreiros de fim de semana” – pessoas que concentram toda a atividade física em um ou dois dias da semana – diminuiu ao longo do período, e segue associado a piores indicadores de saúde.
A pesquisa, intitulada Time Trends in Weekend Warriors and Other Leisure-Time Physical Activity Patterns in Brazilian Adults, 2009-2023, analisou dados de 643.196 adultos(as) participantes do sistema de vigilância Vigitel, do Ministério da Saúde. O estudo foi conduzido por Mauricio dos Santos, como parte de seu doutorado, sob orientação do docente Leandro Rezende, coordenador do CRÔNICAS (Núcleo de Pesquisa em Epidemiologia de Doenças Crônicas) e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Unifesp, com colaboração de pesquisadores(as) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de universidades do Chile.
Avanço na prática, mas com padrões distintos
Os resultados mostram que a proporção de adultos(as) que atingem as recomendações de atividade física no lazer – pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa – aumentou de 30,3% em 2009 para 40,6% em 2023. O crescimento foi mais expressivo entre homens, adultos mais jovens e pessoas com maior nível de escolaridade, evidenciando desigualdades persistentes no acesso e na adoção de hábitos ativos.
Ao analisar os diferentes padrões de prática ao longo da semana, os(as) pesquisadores(as) identificaram mudanças significativas:
- O padrão “guerreiros de fim de semana” caiu de 5,9% para 3,1%, com redução mais acentuada entre os homens;
- O grupo intermediário, que pratica atividade física de três a quatro vezes por semana, cresceu de 11,3% para 17,4%;
- O grupo regularmente ativo, com cinco ou mais sessões semanais, aumentou de 13,0% para 20,1%.
Concentração da prática não neutraliza riscos
Apesar de cumprirem o volume mínimo recomendado de atividade física, os "guerreiros de fim de semana" apresentaram, ao longo do período analisado, tendências desfavoráveis em diversos indicadores de saúde. Entre os principais achados, estão a manutenção de altas prevalências de tabagismo e consumo excessivo de álcool, o aumento expressivo da obesidade – que dobrou no período –, além do crescimento da hipertensão arterial. O diabetes, por sua vez, manteve-se estável, sem redução.
Para o pesquisador Leandro Rezende, orientador do estudo, os dados reforçam que não basta atingir o volume mínimo semanal se a prática não for distribuída de forma mais regular. “Os resultados indicam que concentrar toda a atividade física em poucos dias pode não ser suficiente para compensar outros comportamentos de risco. A regularidade ao longo da semana parece ter um papel importante não apenas na prática em si, mas na adoção de um conjunto mais amplo de hábitos saudáveis”, explica o docente.
Segundo Rezende, o estudo contribui para refinar o debate sobre recomendações de atividade física. “Embora qualquer movimento seja melhor do que nenhum, os achados sugerem que políticas e orientações em saúde pública devem ir além do volume total semanal e considerar a frequência e a integração da atividade física a um estilo de vida mais saudável”, completa.
Impactos para políticas públicas
Os resultados apontam avanços importantes na prática de atividade física no lazer no Brasil, mas também evidenciam a necessidade de estratégias mais direcionadas. Além de ampliar o acesso, os dados indicam que políticas públicas devem incentivar a regularidade da prática ao longo da semana, especialmente entre grupos com menor escolaridade e maior vulnerabilidade social.
O estudo reforça que promover atividade física de forma contínua, associada a outros comportamentos saudáveis, é um desafio central para reduzir o risco de doenças crônicas e melhorar os indicadores de saúde da população brasileira.