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  • 16/07/2026

Queijos, vinhos e espumantes: como acertar na harmonização

Especialistas da Cooperativa Santa Clara e da Cooperativa Vinícola Garibaldi dão dicas para curtir essa combinação

Queijos, vinhos e espumantes: como acertar na harmonização
André Luís Rech

Um dos mais celebrados encontros gastronômicos, o casamento de queijos com vinhos e espumantes tem o poder de transformar a degustação de uma simples tábua em uma experiência sensorial completa. A combinação certa realça sabores, equilibra texturas e permite explorar os sentidos.

 

Para ajudar a decifrar essa equação, o supervisor de Food Service da Cooperativa Santa Clara, Júlio César Sandrin, formado pelo ICIF (Italian Culinary Institute for Foreigners) e com mais de dez anos de atuação no segmento gastronômico, e André Luís Rech, sommelier da Cooperativa Vinícola Garibaldi, explicam os critérios que definem uma boa harmonização e as combinações que funcionam na prática.

 

Cremosidade, textura, gordura, tempo de maturação e a quantidade de sal do queijo, além dos acompanhamentos escolhidos, são os principais critérios levados em conta na hora de harmonizar. Esses detalhes ajudam a compor uma combinação equilibrada. “Harmonizar queijos com vinhos e espumantes não é uma fórmula fixa, mas um exercício de equilíbrio entre textura, intensidade e complementaridade de sabores. A melhor forma de descobrir o que funciona para o seu paladar é experimentando”, consensuam os especialistas.

 

Por onde começar

Para quem está começando a explorar harmonizações, uma dica certeira é: queijos mais cremosos funcionam melhor com vinhos brancos e espumantes de maior acidez, enquanto queijos mais maturados e encorpados pedem vinhos tintos.

 

A textura e a intensidade do queijo são o que definem, na prática, qual bebida escolher. Queijos cremosos, como Brie, Camembert e Ricota, combinam com produtos de maior acidez, como vinhos brancos ou espumantes com gás carbônico, mas devem evitar tintos encorpados: a proteína do leite reage com os taninos do vinho e deixa um sabor amargo na boca, explica Sandrin. Já os queijos curados e mais duros, como Parmesão, Grana e Pecorino pedem vinhos tintos, cuja estrutura tânica complementa a textura mais firme do queijo, embora também aceitem espumantes mais estruturados e vinhos brancos complexos. No caso dos queijos fortes e intensos, como o Azul e o Roquefort, a indicação são vinhos e espumantes mais adocicados, como demi-sec ou moscatel, que equilibram a potência do queijo pelo contraste, ou tintos com bastante álcool e aromas frutados.

 

Nesse universo de múltiplas possibilidades, alguns cuidados são necessários. Um equívoco comum é presumir que o vinho tinto combina com qualquer queijo. “Muitos combinam melhor com brancos e espumantes. É importante respeitar a intensidade dos sabores, evitando que um dos dois elementos se sobreponha ao outro”, explica. Rech lembra que o espumante é um dos mais versáteis para esse tipo de combinação.

 

Servir o queijo gelado é outro deslize recorrente: o ideal é retirá-lo da refrigeração pelo menos 20 minutos, para que atinja a temperatura de consumo e revele melhor sua cremosidade e complexidade, indica Sandrin.

 

A tábua ideal para receber convidados

Para quem vai receber convidados em casa e busca uma tábua versátil, capaz de harmonizar tanto com espumantes quanto com vinhos tintos e brancos, a dica é a combinação de burrata, brie, minas meia cura e gruyère, acompanhados de mel, pasta de morango ou geleia de frutas vermelhas, uvas frescas, pera fatiada, castanhas como amêndoas e nozes, e pães artesanais ou torradas.

 

Para uma versão mais estruturada, a sugestão passa por burrata com mel, brie com pasta de morango, gruyère com azeite de oliva extravirgem, cheddar com geleia de bacon e cebola caramelizada e vaccino romano com pão de cacau e raspas de laranja, complementados por uma charcutaria de salame Milano e salame italiano, além de nozes e castanhas, damasco, figos frescos, mel, azeite extravirgem e pães artesanais com grissinis. A partir dessa tábua mais estruturada, os especialistas detalham o que esperar de cada combinação e por que a bebida escolhida funciona com cada queijo.

 

Burrata com mel — Espumante Acordes Extra Brut

O queijo puxa notas de leite fresco, manteiga, creme de leite e iogurte suave, enquanto o mel acrescenta doçura e nuances florais à cremosidade extrema da burrata. A combinação encontra no Espumante Garibaldi Acordes Extra Brut o parceiro ideal: elaborado pelo método tradicional a partir de Chardonnay e Pinot Noir, com no mínimo 24 meses de amadurecimento, o espumante desenvolve aromas de damasco, amêndoas e notas de torrefação que dialogam com o dulçor do mel, enquanto sua estrutura e acidez sustentam a cremosidade do queijo sem pesar.

 

Minas meia cura com caramelo salgado — VG Nature

Manteiga, castanhas, leite cozido, caramelo e uma leve nota mineral do sal marcam essa combinação: o queijo tem sabor lácteo intenso e levemente amanteigado, e o caramelo salgado cria contraste entre doçura e salinidade. A ligação vem do palato seco do Espumante Garibaldi VG Nature Blanc de Blanc, elaborado 100% com Chardonnay e classificado como Nature, a categoria com menor teor de açúcar entre os espumantes, que faz a ponte entre o açúcar do caramelo e a salinidade do queijo, cortando a gordura sem deixar a combinação enjoativa.

 

Gruyère com azeite de oliva — VG Marselan

O gruyère tem sabor marcante, levemente adocicado, com notas de nozes, avelãs e frutos secos, enquanto o azeite agrega untuosidade e notas herbáceas. A estrutura do Vinho Garibaldi VG Marselan, 100% Marselan, com dez meses de maturação em carvalho francês, quebra a untuosidade do azeite, e seu toque mentolado, característico do rótulo, conversa diretamente com o lado herbáceo do azeite.

 

Brie com pasta de morango — VG Brut Rosé

A cremosidade típica do brie, com notas de manteiga, cogumelos frescos e creme, encontra na pasta de morango um contraponto frutado e levemente adocicado. O Espumante Garibaldi VG Brut Rosé, elaborado com Chardonnay e Pinot Noir e maturado por 12 meses em autólise, tem estrutura e acidez ideais para acompanhar o queijo, e sua semelhança de aromas, com notas de framboesa, morango e cereja, faz a combinação funcionar por afinidade, não por contraste.

 

Cheddar com geleia de bacon e cebola caramelizada — Garibaldi Merlot

O cheddar tem intensidade elevada e uma picância natural, e a geleia de bacon com cebola caramelizada acrescenta notas defumadas, dulçor e profundidade aromática: o resultado é uma combinação robusta, com equilíbrio entre salgado, doce e umami. O Vinho Garibaldi Merlot Reserva, com seis meses de maturação em carvalho francês e notas de frutas vermelhas, manteiga e chocolate, tem corpo suficiente para equilibrar essa complexidade, e o contato com a madeira aporta o toque defumado que casa com o bacon.

 

Vaccino romano com pão de cacau e raspas de laranja — VG Ancellotta

A maturação de 12 meses do vaccino romano resulta numa massa dura e compacta, de sabor levemente salgado, frutado e intenso. O pão de cacau, com o leve dulçor da casca de laranja e um cítrico discreto, completa o Vinho Garibaldi VG Ancellotta, 100% Ancellotta, maturado por dez meses em carvalho francês e americano, que traz aromas de mirtilo, ameixa e especiarias com notas tostadas, e cuja estrutura equilibra o sabor intenso do queijo mais maturado.

 

Charcutaria (salame Milano e salame italiano) — Acordes Merlot

O salame Milano tem textura mais macia e sabor delicado, enquanto o salame italiano é mais intenso e condimentado; juntos, equilibram gordura, salinidade e especiarias. O Vinho Garibaldi Acordes Merlot, maturado por 12 meses em barrica, com fermentação malolática realizada na própria madeira, é mais encorpado e potente, com aromas de cereja, caramelo, cacau e café, e pede justamente pratos de mais estrutura e sabor, como a charcutaria: a madeira do vinho equilibra a gordura e realça as especiarias utilizadas na cura.

 

 

 

 

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