Mostra reúne cerca de 180 imagens do fotógrafo e fica em cartaz de 2 de setembro de 2026 a 28 de fevereiro de 2027.
Mostra reúne cerca de 180 imagens do fotógrafo e fica em cartaz de 2 de setembro de 2026 a 28 de fevereiro de 2027.

O SESI Lab e o Instituto Moreira Salles (IMS) apresentam a exposição Flieg. Tudo que é sólido, dedicada à obra de Hans Gunter Flieg (1923-2024), um dos principais nomes da fotografia brasileira. A mostra entra em cartaz em 2 de setembro de 2026 e reúne cerca de 180 imagens produzidas entre as décadas de 1940 e 1980.
Com apoio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e do Ministério da Cultura, a exposição inaugura a nova galeria de exposições temporárias do SESI Lab, em Brasília, e permanece em cartaz até 28 de fevereiro de 2027. A curadoria é de Sergio Burgi, com assistência de Mariana Newlands.
O acervo de Flieg está sob a guarda do IMS desde 2006. Esta é a primeira vez que a exposição viaja para outra cidade e também marca o início da parceria entre o SESI Lab e o instituto.
Nascido em uma família judia de classe média na Alemanha, Flieg estudou fotografia em 1939, aos 16 anos. Ele migrou com a família para o Brasil para fugir da perseguição do regime nazista e, a partir de 1945, estabeleceu-se como fotógrafo em São Paulo.
Ao longo da carreira, registrou a industrialização do país, especialmente de São Paulo, e trabalhou para empresas como Willys-Overland e Mercedes-Benz. Também fotografou momentos como a primeira Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 1951, e a construção da sede do Masp, na década de 1960.
A exposição é dividida em três núcleos. O primeiro reúne imagens de arquitetura industrial, incluindo registros da construção do Ginásio do Ibirapuera, das hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá, no Rio Paraná, e da Fábrica Duchen, em Guarulhos, projeto de Oscar Niemeyer.
O segundo núcleo apresenta fotografias do interior de fábricas, com foco em maquinários. Embora produzidas com finalidade comercial, as imagens destacam os detalhes escultóricos dos equipamentos. O terceiro núcleo reúne trabalhos realizados para o mercado publicitário, com registros de objetos como pneus, máquina de escrever, ferramentas, calculadora e mobiliário.
Segundo Sergio Burgi, o trabalho de Flieg foi influenciado pela modernidade europeia e combinou rigor formal com controle da iluminação, da exposição e do processamento da película. Para o curador, as fotografias de estruturas, equipamentos e objetos industriais também resultam em imagens de forte viés abstrato.
Entre os elementos da mostra está uma câmera escura em tamanho real, na qual o público poderá entrar para entender como uma imagem fotográfica é formada. O dispositivo é vedado à luz externa e permite a entrada controlada de luz por meio de uma pequena abertura, projetando uma imagem luminosa e invertida do mundo exterior em sua superfície interna.
Em entrevista concedida ao IMS em 2014, Flieg resumiu sua concepção sobre o trabalho publicitário: “A importância é mostrar o produto da melhor forma possível. O que você tem que fazer tem que ser bem-feito.”