Uma única fábrica de celulose pode fornecer cerca de 2 milhões de toneladas de CO₂ biogênico por ano
Uma única fábrica de celulose pode fornecer cerca de 2 milhões de toneladas de CO₂ biogênico por ano

A transição global para combustíveis sustentáveis, traz consigo novas oportunidades para indústrias com acesso a matérias-primas renováveis. Entre elas, o setor de celulose e papel ocupa uma posição privilegiada. As fábricas de celulose geram volumes significativos de dióxido de carbono biogênico (CO₂), um recurso valioso que pode ser utilizado para produzir combustíveis renováveis, como o e-metanol. Uma única fábrica de celulose pode fornecer cerca de 2 milhões de toneladas de CO₂ biogênico por ano, possibilitando a produção de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de e-metanol.
O e-metanol está se consolidando como uma das principais alternativas de combustível renovável para a indústria marítima e outros setores de difícil descarbonização, que buscam reduzir emissões sem a necessidade de substituir completamente a infraestrutura de combustíveis existente. À medida que a demanda cresce, as indústrias avaliam cada vez mais como seus ativos atuais podem viabilizar a participação nesse mercado em expansão.
Um estudo de engenharia conceitual e básica (FEED) realizado recentemente pela ANDRITZ, em parceria com um produtor brasileiro de celulose analisou o caminho mais econômico para a produção integrada de e-metanol. O estudo abrangeu toda a cadeia de valor, incluindo captura de carbono, produção de hidrogênio, síntese de metanol, integração de energia renovável e integração com a fábrica de celulose.
Os resultados mostraram que os maiores benefícios econômicos e operacionais são obtidos quando a produção de e-metanol é integrada diretamente à fábrica de celulose e instalada junto à fonte de CO₂ biogênico. Ao localizar as instalações no mesmo local, o projeto pode aproveitar a infraestrutura existente, utilidades, energias térmicas e oportunidades de uso integrado do oxigênio, além de eliminar os custos e a complexidade associados ao transporte de CO₂.
Os resultados foram expressivos. O conceito integrado alcançou custos nivelados de produção de e-metanol até 15% menores em comparação com alternativas não integradas. Além disso, o oxigênio gerado durante a produção de hidrogênio pode ser utilizado na própria fábrica de celulose, possibilitando o enriquecimento com oxigênio e melhor integração de calor e vapor. Isso cria uma oportunidade para aumentar a produção de celulose em 7% a 10%, ao mesmo tempo em que apoia a produção de combustível renovável. Também foram identificados custos de produção inferiores a EUR 1.000 por tonelada de e-metanol, demonstrando o potencial comercial dos projetos integrados.
Além dos benefícios econômicos, a integração cria sinergias adicionais entre a fábrica de celulose e a unidade de produção de e-metanol. O compartilhamento de utilidades e infraestrutura reduz tanto os custos de capital, quanto os operacionais, enquanto o calor excedente, os sistemas de tratamento de água e os recursos operacionais podem ser utilizados de forma mais eficiente em todo o complexo industrial. Essas sinergias contribuem para aumentar a eficiência no uso de recursos e fortalecer a atratividade econômica da produção de combustíveis renováveis.
Para o Brasil, essa oportunidade é particularmente promissora. O país combina uma indústria de celulose de classe mundial com uma ampla disponibilidade de energia renovável, criando condições favoráveis para projetos Power-to-X em grande escala. À medida que a demanda global por combustíveis renováveis aumenta, a produção integrada de e-metanol pode permitir que os produtores de celulose diversifiquem suas fontes de receita, agreguem valor aos seus ativos e contribuam para a descarbonização do transporte marítimo e de outros setores industriais.
Para a ANDRITZ, projetos como este mostram a crescente convergência entre as indústrias de celulose, captura de carbono, hidrogênio e combustíveis renováveis. Com mais de 170 anos de experiência em engenharia industrial, a ANDRITZ apoia seus clientes em todas as etapas do ciclo de vida dos projetos, desde estudos iniciais de viabilidade e engenharia básica até a execução EPC e a operação de longo prazo das plantas. A combinação do conhecimento em processos de celulose com expertise em engenharia de integração permite identificar e concretizar novas oportunidades de geração de valor para os produtores de celulose no contexto da transição energética.
Marcelo Perpetuo - Business Development Manager na ANDRITZ